Os Estranhos (2008)

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Este filme de estéia de Bryan Berdino toca em alguns pontos interessantes, apesar de nunca concluir realmente uma tese mais concisa, temos aqui algumas pistas que instigam.

Homem e Mulher, fragilizados, chegam em uma casa de campo. Talvez na melhor sequência do filme, o seu começo, vamos aos poucos compreendendo os motivos dessa distância entre o casal, seja por gestos, olhares e até mesmo um flashback explicativo.

Em um primeiro movimento clichê, até aqui necessário, Homem vai comprar cigarros e deixa Mulher sozinha. Começa então a atmosfera de “assombração”, que até a metade do filme se sustenta extremamente bem devido uma câmera bastante consciente de Berdino, sem exposições muito explícitas e que consegue construir essa atmosfera com raro domínio.

Com isso vem a alienação, que é o ponto mais interessante do filme. Homem e Mulher estão presos nessa pequena dimensão. Existe uma arma na casa, existe uma vitrola antiga que toca desde um coutry folk antigo até Joanna Newsom. Alguns elementos aqui vão nos sugerindo um cenário norte-americano bastante comum, os objetos da casa que denotam uma família conservadora rica e principalmente o medo. Medo do desconhecido?

A alienação pós 11 de Setembro vem gerando algumas reflexões. Essa atsmofera de medo e mesmo de um certo preparo, pelo menos da parte do Homem, me fez pensar nisso. O Homem, que faz parte daquela família e daquela dimensão, parece inconscientemente preparado para uma situação daquela. Ele não sabia aonde estava a arma, mas ele sabia que ela existia. Já a Mulher, que parece realmente apavorada, parece não acreditar no que está acontecendo e até mesmo repete isso para si mesma.

Já a assombração é uma entidade abstrata. Os tais Estranhos, nunca sabemos quem são, porque podem ser qualquer coisa. Os motivos não são importantes, o rosto de cada um deles não é importante. Berdino parece muito mais interessado em estudar esse medo e o tipo de reação que os personagens sofrem nessa dimensão.

O filme perde um pouco do meio para o final, quando cai em alguns vícios do gênero. Ficando preso a cenas de sustos e ações clichês, que de certa forma são justificadas dentro desse projeto racional delimitado por Berdino, mas que não se sustetam assim por tanto tempo.

Aquela arma que Homem sabia que existia e que encontrou com tanta facilidade não o protegeu de nada, serviu ainda assim para o próprio Homem matar por engano seu melhor amigo. Alienação que gera medo, medo que gera uma assombração abstrata. Violência banalizada (uma arma dentro de uma residência como fator comum naquela comunidade) que gera Violência gratuita.

É possível então encontrar um apelo no longa de Berdino, uma situação localizada, estruturalmente bastante minimalista, mas que nos revela um pouco mais sobre aquele país e seu momento atual.

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